A revolta com o meu pai, se é que dá pra chamar de pai já é um pouco antiga, o contato com o Rap também. Tinha mais ou menos uns 10 anos, por volta de 1987 quando vi pela última vez meu pai se arrastando para chegar em casa trançando suas pernas, e eu era a piada da rua, ah, ah, ah, olha aí Daniel seu pai pinguço vindo !
Outrossim agradeço imensamente, pois tudo isso criou um Homem, peraí HOMEM, com todas as letras maiúsculas possíveis e carácter digno, dignidade esta que me deu o direito de estar presente entre minhas filhas, minha esposa, mãe, irmãos e muitas pessoas que me admiram e também umas que me invejam, vermes de um lado e leões de outro.
Voltando ao Rap, 1987 no portão de casa com um rádio prateado, meio cinza, bonitão que eu pegava emprestado da minha irmã sem ela saber e ela ficava doida comigo, ouvia Pepeu, gravava na fita K7 e repetia igual loko, acho que a função já tava no sangue impregnada ! Parcero Reinaldinho, sumiu no tempo mas foi o primeiro malandro que vi na minha vida, eu queria viver assim, aprontava as minha sem dá boi pra ninguém, descia pela porta de trás do busão e com o dinheiro que sobrava comprava pincel atômico e spray para detonar a escola, a cada dia sempre mais ousado, da parede do banheiro à sala de aula, do pátio as lindas paredes da diretoria, resultado... Quinze dias de trabalho forçado e obrigatório para restauração das salas de aula e paredes de banheiro.
Daí pra frente fui tomando juízo, trabalhei cedo, corri atrás do preju, olhei muito carro pra pagar a mistura do fim de semana, que minha mãe considerava sagrada, assim teve a mesma consideração com o bem-estar de seus filhos, lutando de todas as formas para que nada nos faltasse. Trabalhei tanto que hoje em dia penso em estar perto de me aposentar, às vezes perco a conta dos anos que faltam, acho que faltam só 15 e na verdade ainda faltam 25, rs...
Voltando ao Rap parte II carregava em mim uma expectativa muito grande com relação à tudo o que passei graças ao descaso que o que sobrou da minha família sofreu com o que se dizia meu pai, tinha em mente uma história, e no consciente o DOM de transformar cenas tristes em blocos de concreto para fortalecer a muralha que representa minha pessoa, a fórmula é simples. Pegue um sofredor determinado, junte muita coragem, revolta e uma pitada de inteligência, adicione três doses de honestidade, algumas bases produzidas por mim mesmo, duas xícaras de rimas de qualidade (isso é difícil) e uma colher de malandragem original das ruas de Pirituba, pronto tá aí o resultado... Começo, Meio e Fim a primeira composição do menino pardo, bastardo e enfim cicatrizado !
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